Westworld 2ª temporada – Review

Thais Costa 07/9/2018

Por Matheus Albuquerque e Thaís Costa.

 

Faz pouco tempo que chegou ao fim a 2ª temporada de Westworld e ainda estamos nos perguntando se entendemos todas as mensagens. Definitivamente não é uma série para amadores, mas não se deixe enganar por essa complexidade, no fim é mais fácil do que você imagina.

Sabemos que Westworld é baseada no filme homônimo da década de 70, mas conseguiu ir muito além, em todos os sentidos. Essa segunda temporada foi densa e completamente intensa, explodindo nossas cabeças. A série é um dos melhores conteúdos que estamos tendo o prazer de acompanhar feito para a TV.

Diferentemente da primeira temporada que teve um roteiro mais expansivo, e que lançou muitos questionamentos, nessa segunda tivemos uma confusão proposital na linha do tempo, para dar um sacode na nossa cabeça e com certeza foi feito com sucesso. Ao mesmo tempo que o roteiro foi bastante complexo, também foi didático em grande parte do tempo. Essa temporada foi cheia de diálogos enigmáticos, com explicações e reflexões nas entrelinhas, que eram essenciais e significativas para a trama.

Conhecemos outros parques além de Westworld. Fomos apresentados ao The Raj e o Shogunworld. Que trouxeram novos personagens que tiveram sua importância no enredo dessa temporada. Vimos a imensidão desse território, ao mesmo tempo que nos perguntávamos onde se localizaria na terra esse universo? Numa ilha? No Japão? Ou é um Dome gigante? Bem, já adianto que a dúvida permanece.

Cada episódio, teve sua significância e trouxe peças de um quebra-cabeça complexo. A série é daqueles conteúdos que não tem pressa em correr com a sua trama sem antes trabalhar bem alguns pontos da trajetória de cada um dos personagens. Nessa temporada tivemos episódios mais longos destacando a season finale com uma hora e meia de duração. No inicio dessa temporada, nos bombardearam com dúvidas e por se tratar de vários núcleos de personagens, a trama pareceu confusa, mas fomos entendendo e nos encontrando dentro desse emaranhado de possibilidades de Westworld.

Essa temporada levantou reflexões filosóficas, sobre a humanidade, o livre-arbítrio, com referências bíblicas, ao mesmo tempo tocando no assunto sobre o uso da tecnologia na replicação da consciência e da clonagem. Destacando as consequências que virão com essas escolhas.

É importante ressaltar que Westworld tem a melhor equipe técnica de séries para TV sem exageros. Desde uma fotografia que conversa com você através do plot da série, até um simples jogo de câmeras para dar ênfase ao momento que vivem os personagens. A parte mais fraca da equipe está na montagem que não possui um tempo de corte e construção definidos desde a primeira temporada, à exemplo dos episódios 4, 7 e 10 que tem o melhor fluxo de acontecimentos narrativos, em contraponto aos episódios 8 e 6, que não deixam de ter um teor filosófico e artístico belíssimos, mas que pecam em desfecho e consequências das ações dos personagens envolvidos nos episódios.

Contudo, é possível ver o esforço da produção da série em manter uma coerência entre os diretores dos episódios, no momento que um anfitrião está em cena a câmera mantem foco fechado nos rostos para mostrar que, mesmo máquinas, existe sentimento e existe motivação para revolta, no momento em que a cena é conduzida pela visão dos humanos, as câmeras estão em plano aberto, de forma centralizada para dar padrão ao caos, como se a mensagem fosse: Humanos foram criados para ver forma onde ela não existe, e por isso são limitados. Tudo isso faz a parte técnica de Westworld ser aplaudível.

Os produtores foram muito corajosos com a construção da trama da segunda temporada, tivemos episódios lindos de se ver, sem falar na trilha sonora, sinuosamente bem trabalhada em cada episódio. Tudo isso se deve a Ramin Djawadi, que é o mesmo compositor de Game of Thrones. Ele trouxe músicas já conhecidas por nós em versões completamente diferentes e de extremo bom gosto. Um exemplo disso é a música Heart shaped box do Nirvana que foi trazida em uma versão esplêndida e emblemática no trailer do episódio 8 Kiksuya, que contou a história de Akecheta e da nação fantasma.

A season finale com o episódio The passenger, que foi escrito pelos criadores Jonathan Nolan e Lisa Joy, foi de marejar os olhos, muito bem executado e emocionante, assim como toda a temporada. Cheio de efeitos e boas atuações. Ao fim deixando um gancho de possibilidades para várias temporadas em vertentes variadas.

Uma curiosidade importante é que os atores também não sabem o que vai acontecer com seus personagens, vão descobrindo conforme vai avançando as filmagens. Nessa temporada o Ed Harris (Willian/ Homem de preto) afirmou que vai sabendo de acordo com o roteiro que vai avançando, e que nas filmagens eles gravam cenas fora de ordem e que não são orientados do significado delas. Isso é ótimo para evitar o vazamento de spoilers. Então se os atores não sabem imagina os fãs que ficam com a cabeça fervilhando ao final de cada episódio.

Westworld é aquela série que você precisa assistir mais de uma vez prestando atenção em cada detalhe, cada ação, cada cena, tudo tem um significado dentro da trama. O que fascina ainda mais os fãs. Outro ponto positivo é o universo expandido de Westworld, com o site da Dellus, soltando dicas e alimentando ainda mais as teorias criadas pelos fãs. A série é sem sombra de dúvidas um acerto e tanto, e queremos muitas temporadas, pois tem muito conteúdo a ser explorado e discutido. Já foi confirmada uma terceira temporada, ainda sem data definida, e os produtores afirmam que demorará um pouco mais do normal. Se tratando de um espaço de 2 anos da primeira para a segunda temporada, Westworld só deve retornar em 2020. Até lá, vale a pena ver e rever essa série e parar um pouquinho para ler as teorias e refletir sobre as dúvidas deixadas naquela emblemática cena pós-crédito.

 

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