Wanderlust – Navegar é preciso (Crítica)

Thais Costa 11/30/2018

Você já deve ter visto essa série enquanto passeava pelo catálogo da Netflix, ou então o próprio streaming  já deve ter te sugerido… Então, segue a dica e corre para assistir Wanderlust – Navegar é preciso. É uma série de origem britânica, co-produção entre a BBC One e a Netflix. Estreou no catálogo no dia 19 de outubro. A série é para maiores de 18 anos, ok?

A série é escrita pelo Nick Payne, que também escreveu alguns episódios de The Crown e dirigida por Luke Snellin e Lucy Tcherniak. O enredo consiste em um casal Alan (Steven Mackintosh) e Joy (Toni Collette) com uma vida bem-sucedida, que constituíram uma família e tem três filhos. Ele é professor e ela terapeuta. Eles estão casados a mais de 20 anos e não conseguem se reconectar sexualmente, encontram desafios no que diz respeito a falta de desejo sexual um pelo outro. E buscam opções para resolver essa situação.

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Eles fazem um acordo de ambos buscarem novas aventuras sexuais com outros parceiros, com o consentimento mútuo, isso mesmo, uma infidelidade consensual, um casamento aberto. No início, a solução parece funcionar, porém, sabemos que também ocasionará consequências para outras pessoas além deles dois. A problemática da série não é inovadora, mas a forma que é apresentada e contada ao público é extremamente inteligente. Sabemos que a questão do amor e da complexidade que ele traz, sempre é tema de grandes obras. O amor e suas peculiaridades são debatidos frequentemente, porém, nessa série as questões levantadas são maiores e ao mesmo tempo delicadas. Nos fazendo refletir sobre muitos detalhes.

Fica claro que as escolhas do casal irão ocasionar grandes problemas, mas também sabemos que eles se amam e isso sobressai em quase todos os episódios. Eles são bons juntos apesar de terem um sexo ruim, bem ruim. A verdade é que eles julgam precisar navegar em outras situações sexuais para se sentirem vivos e desejáveis novamente. Muitas pessoas vão se identificar com as situações apresentadas na série. Ao mesmo tempo que é mostrado o preconceito quando não se segue o que seria as normas da sociedade para um relacionamento, ou o que a sociedade impõe.

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Wanderlust- Navegar é preciso, é um dramédia bem construído, que não fica devendo em nada para o público, tudo bem, algumas questões poderiam ter sido melhor exploradas. O que se sobressai são as atuações. O elenco de ótimo gosto, com atuações impecáveis. Destaque para a protagonista Toni Collette, que é maravilhosa, já sabemos de todo o seu talento e bagagem, mas aqui ela dita o tom de cada cena, fala com o olhar. É incrível que seja a mesma atriz que fez o filme Hereditário. Ela consegue passear pelos gêneros e consegue atuar bem em cada um deles. Aqui em Wanderlust ela brilha intensamente. Assim como, Steven Mackintosh, que nos faz entender tudo que se passa na cabeça do Alan e sua fragilidade diante da situação.

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Além da narrativa ser muito bem elaborada, a parte cinematográfica conta muito para o sucesso dessa série. Eles trabalham muito bem os flashbacks, de uma forma delicada e contínua, que não cansa e nos faz querer ver mais. A fotografia também é linda e suave. O desenvolvimento dos personagens e suas mudanças são bem exploradas. Além de que, a série não foca só nos protagonistas, mas conta a história de outros personagens, e os tornam interessantes para o público.

Wanderlust – Navegar é preciso explora toda a fragilidade do ser humano, diante de certas situações, mesmo aquela pessoa que se mostra firme quando é preciso, carrega muitas inseguranças. É uma ótima dica de maratona, a série tem 6 episódios, bem dinâmicos. Garanto que ao assistir você vai sentir empatia pelos personagens e pensar o que faria se estivesse no lugar deles.

 

Nota: 9 xícaras.

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