Chegamos ao Fim – Tomb Raider: A Origem

Jaderson Henrique 03/28/2018

Assim como um jogador inexperiente, Lara Croft mais uma vez, falha em sua missão.

 

Não é a primeira vez que a heroína dos games é levada para as telonas. Em 2001, a sempre linda, Angelina Jolie estrelou Lara Croft – Tomb Raider no papel de uma Lara Croft sensual, com curvas fartas e decotes provocantes, na época, uma forte crítica a sexualização da personagem surgiu, mas nada que impedisse que em 2003 chegasse aos cinemas a continuação Lara Croft – Tomb Raider: A origem da vida. Ambos os filmes, além de receberem duras críticas pela composição da personagem que embora tenha ficado visualmente muito parecida, não agradou aos fãs, além de um roteiro muito ruim que se distanciava muito dos games.

 

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Agora, aproveitando o momento onde as heroínas mulheres estão em alta resolveram “rebootar” a série, tendo como base uma nova versão do jogo, lançado em 2013, no qual traz uma Lara bem menos sexualizada e mais jovem, e claro, como não poderia ser diferente, desta vez trataram de colocar muitas cenas tiradas do jogo em sua literalidade. São frames inteiros idênticos, que mesmo eu que não sou jogador (na verdade nunca joguei uma partida de Tomb Raider) pude ver em diversos vídeos comparativos as semelhanças entre o jogo e o filme.

 

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No enredo a Jovem Lara Croft é a independente filha de um aventureiro excêntrico que desapareceu há 7 anos. Com a esperança de resolver o mistério do desaparecimento de seu pai, ela embarca em uma perigosa jornada até o seu último destino conhecido – um túmulo lendário em uma ilha mítica que pode estar em algum lugar da costa do Japão. As apostas não podiam ser maiores, pois ela deve confiar em sua mente, em fé cega e seu espírito teimoso para se aventurar rumo ao desconhecido.

 

Para não ser leviano em minha visão, que digo: é apenas cinematográfica, me juntei a Hevila para que ela me passasse sua visão enquanto gamer fã de Tomb Raider desde o seu lançamento.

 

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Para mim: o clima aventuresco existe, mas, nada no filme desperta a empatia com o público. A construção da personagem começa bem, quando encontramos uma relutante Lara se recusando a receber uma herança milionária após o sumiço do pai. E é justamente essa relação entre pai e filha a parte mais fraca da projeção. Baseada em clichês essa relação é mostrada através de flashbacks que permeiam todo o filme e são praticamente iguais. Não dá para comprar a ligação entre ela e o pai.

 

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Para Hevila: “Sou viciada em games e sempre tenho esperança de que façam uma adaptação no mínimo aceitável. E na minha opinião, podemos dizer que Tomb Raider – A Origem é aceitável. Focado em adaptar os jogos mais atuais da protagonista Lara Croft, ele traz alguns pontos positivos e infelizmente muito mais pontos negativos. A protagonista da Alicia Vikander, traz uma grande semelhança com os games, os traços são incríveis; o cenário que se passa o filme também é muito semelhante o que passa uma sensação de familiaridade com o game. Em algumas cenas, inclusive, só faltava um joystick na mão para realizar as sequências (X + R2, O).”

 

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Para mim: “Alicia Vikander até tenta e, claro, faz alguns milagres com o material que lhe foi entregue para trabalhar. Com falas rasas e alguns dilemas que não despertam o interesse, fica difícil passar a ideia de mulher super inteligente, uma das características principais da personagem ao meu ver. Aqui ela parece indefesa, fraca, o que talvez possa ser aceitável, uma vez que é um filme de origem. O restante do elenco também está tão genérico quanto, o vilão vivido por Walter Goggins, que parece ter saído de uma novela de TV completamente unidimensional, e o restante do elenco é completamente descartável.”

 

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Para Hevila: “O enredo, por sua vez, não foi tão bem adaptado. Nos games ela possui uma equipe para lhe ajudar em algumas missões, no filme essa equipe foi quase toda cortada, sobrando apenas um parceiro japonês vivido pelo ator Daniel Wu. Diga-se de passagem que gostei bastante de não terem colocado interesse amoroso da protagonista (o que é bem comum em filmes do gênero). A trama com o pai sai totalmente do contexto do games, o que faz com que o filme fique um pouco arrastado. Aceitável, porém um potencial desperdiçado.”

 

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Para mim: “O diretor norueguês Roar Uthaug, que não fez nada de muito relevante para o cinema, consegue injetar ritmo as cenas de ação que divertem em sua maioria, mas vão ficando repetitivas ao longo do filme. Elas são sempre pautadas naquele conceito muito usado no cinema da aventura da década de 80, onde o protagonista sempre se salva no último segundo.

 

Quanto à cinematografia, mais do mesmo. Fotografia escura, trilha sonora não diegética, composta de uma música barulhenta que em determinados momentos até incomodam o espectador. Os efeitos são razoáveis, em alguns momentos muito bons em outros parecem um gráfico de vídeo game.”

 

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Em um ponto eu e a Hevila concordamos. Tomb Raider – A Origem é mais uma tentativa de Hollywood de adaptar um game de sucesso para o cinema que falha. Colocar sequencias inteiras dos jogos nas telas, não tornarão o filme melhor. A tentativa é valida, o produto final é divertido, porém ainda é preciso alguns estudos para captar a essência dos games e transpô-las para o cinema sem as amarras do jogo.

 

Nota: 5 xícaras

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