The End of the F**king Wolrd: dos quadrinhos para a Netflix.

Penelope Guimaraes 03/2/2018

Olá pessoal!!! A série original Netflix The End of de F**king World já foi lançada para ser um sucesso! Mas aposto que nem todos sabiam que a série que está ganhando os jovens é baseada em uma história em quadrinhos.

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De título (mais ou menos) homônimo, The End of the Fucking World é uma história em quadrinhos britânica, escrita Charles S. Forsman, lançada em 2013. Um compilado de várias tirinhas que resultaram em um Comic Book com aproximadamente 150 páginas, a HQ é repleta de palavrões e cenas de violência e sexo, com quadros simples, desenhos rudimentares e diálogos rápidos, no melhor humor negro inglês, sem se aprofundar em detalhes dos personagens.

SE VOCÊ AINDA NÃO LEU OU VIU, O CONTEÚDO SEGUINTE PODE CONTER SPOILER.

A narrativa é exatamente a mesma da série: James (vivido por Alex Lawther) é um adolescente de 17 anos com problemas emocionais que conhece Alyssa (interpretada por Jessica Barden), também com 17 anos, uma garota um pouco nem aí para o mundo. Ambos decidem fugir sem rumo, cada um tentando experimentar coisas novas e despertar sensações. Claro que para ir para o formato televisivo, a história precisou sofrer uma série de alterações, já que os quadrinhos oferecem uma história com muitas lacunas possíveis para se acrescentar acontecimentos sem ferir a proposta original. Fica óbvio que o objetivo da Netflix é agradar maior e mais fiel público: os adolescentes. Logo, apesar da quantidade enorme de palavrões e sangue, não são exibidas cenas de sexo ou nudez, ao contrário da HQ. A diferença também é dada aos protagonistas, que se comportam como adolescente de 13 anos, apesar de ter 17 anos, ambos tão imaturos, onde nos quadrinhos, ambos são um pouco menos “inocente”. Além disso, as personalidades também sofreram alterações da HQ para a série. James é um rapaz insensíveis em todos os sentidos. Ele mata, machuca e não se importa, mas apenas o faz quando necessário. Na série, temos a impressão de que ele está assustado e inseguro quase o tempo todo, e depois de finalmente consegui saciar sua vontade de matar, ele percebe que não é tão prazeroso como imaginava. Alyssa é uma garota que apenas busca uma atenção e tentar provocar algo em James. Quando vemos a série, temos a impressão de que ela está sempre zangada e grossa.

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Ora, temos as inserções de cenas e personagens que não fazem parte do enredo original, como a policial Teri (Wunmi Mosaku) e sua parceira Eunice (Gemma Whelan), e ainda o romance paralelo entre as duas (que não acrescentam nem diminuem em nada na história). Contamos ainda com o divertido Frodo, um atendente da loja de conveniência, que dá um ar divertido (e seria muito legal se ele continuasse). E somos apresentados a família de Alyssa, ao passado de James e aos problemas que afligem os dois jovens, algo pouco explorado na HQ.

Momento em que Alyssa e James estão na lanchonete, onde Alyssa é não é muito decente.

Mesmo assim, a série é repleta de referências a HQ e (ao contrário do que foi feito com Death Note) respeita sua fonte, integrando as melhores partes à história, como a dança de James e Alyssa que foi brilhantemente incorporada ao som de Hank Williams. A narrativa se passa exatamente como nos quadrinhos, sempre intercalando os pontos de vista, hora em James, hora em Alyssa. Ao longo da série tem muitas outras canções que contrastam gostosamente com o clima do enredo. E no final ainda ficamos com a dúvida: o que houve com James? O desfecho da primeira temporada é uma porta escancarada para uma segunda temporada. Se continuarem a seguir o quadrinho, então quem ler sabe o que aconteceu.

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A roteirista Charlie Covell (roteirista de Human) consegue extrair de poucas frases e quadros simplórios uma história divertida e problematicamente encantadora, buscando nas entrelinhas o contexto, fazendo o que todos deveriam fazer: a releitura do original.

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