“Star Wars: Tarkin” de James Luceno (2014)

João Vitor Rezende 12/3/2018

A política sempre esteve intrínseca ao universo Star Wars, desde quando tudo começou em Uma Nova Esperança. Neste filme somos apresentados ao imponente Grão Moff Wilhulff Tarkin, uma das figuras imperiais mais icônicas da saga, principalmente pelo irônico fato de ser um personagem acima de Darth Vader na hierarquia imperial. Conquanto, apesar de cultuado pelos fãs, Tarkin nunca foi aprofundado no cinema e teve seu fim junto à primeira estrela da morte na infame batalha de Yavin. Felizmente, o novo universo expandido da franquia teve como um de seus primeiros livros,  “Star Wars: Tarkin”, do autor James Luceno, que finalmente adiciona camadas à caricatura icônica do governador imperial.

 

 

 

 

A narrativa da obra se situa entre o período da queda da república e ascensão do império e os acontecimentos da trilogia clássica. Dito isso, a trama segue um império jovem, uma estrela da morte ainda em construção e uma investida inesperada de insurgentes que em breve se revelariam como a grande ameaça ao imperador. É neste contexto que somos apresentados a um oficial Tarkin lidando com os misteriosos ataques à base sentinela, e obrigando-se a relembrar o passado em seu planeta natal e cenário crucial para a história, Eriadu. Além disso, presenciamos a primeira cooperação do personagem com Darth Vader, e finalmente a relação dos dois é devidamente explicada, possuindo sentido dentro da história e da personalidade do Grão Moff apresentada por James Luceno.

 

 

A estrutura da trama é um tanto curiosa, e intercala momentos de introspecção do personagem principal, cenas de ação e diversos momentos de tensão. Desse modo, em meio a batalhas espaciais e situações de perigo, somos levados a conhecer a origem de Tarkin por meio de flashbacks, e acabamos por descobrir as camadas complexas do personagem. Se em Uma Nova Esperança encontramos um Moff Tarkin impetuoso, imponente e impiedoso, neste livro são exploradas outras nuances do protagonista, como o seu perfil calculista, seu idealismo e suas inseguranças. Além disso, é possível sentir as particularidades de Peter Cushing, ator que deu vida ao personagem nas telonas, por meio do texto de Luceno e isso é bastante propício, já que simboliza o caráter multimidiático da saga e conforta os fãs mais acostumados com o cinema.

 

 

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Como é um livro de um novo cânone, responsável por conectar os materiais de diferentes mídias, se torna óbvia a exacerbada quantidade de referências e “Easter Eggs” contidas na obra. Sem dúvida, as alusões são importantes para manter o universo Star Wars coeso e expandi-lo e são agradáveis aos fãs ferrenhos da saga, entretanto, podem acabar comprometendo a experiência de um leitor comum, pois os inúmeros termos, nomes de planetas e naves dificultam a compreensão e enfadam o ritmo da narrativa.

 

 

Vale ressaltar a relevância que o livro dá a política, sempre intrínseca ao universo Star Wars, como citado anteriormente. Isto é, tendo como protagonista um oficial imperial, cujas motivações não são heróicas e altruístas, a narrativa trabalha fascinantemente o totalitarismo e a opressão do império na galáxia,  fazendo uma alegoria clara ao fascismo presente no nosso mundo. De que forma um governo totalitário engana a massa e deturpa fatos em função da autopromoção e do apoio do povo? Qual é o idealismo por trás do medo e como ele atua em um sistema ditatorial? Essas são algumas das reflexões trazidas na história de Tarkin, refletidas diretamente da trilogia original, prequências e sequências. Assim sendo, Wilhuff Tarkin, diferente do imperador, simboliza um viés humano por trás de uma ditadura, pois este se originou de um ambiente hostil, conseguiu alcançar um maior patamar no meio político e passou a administrar o maior emblema do terror na galáxia, a estrela da morte, com o intuito de estabelecer a ordem por um caminho de violência e tirania.

 

 

Em suma, “Star Wars: Tarkin” de James Luceno representa o melhor do cânone de Star Wars , pois expande o universo, aprofundando personagens icônicos e explorando outros viés para os temas políticos estabelecidos no cinema. Dessa maneira, a obra respeita os outros materiais da saga, e ainda que referenciando-os de maneira enfadonha para um público normal, os fãs podem ficar confortáveis quanto às alusões e citações a franquia tão cultuada no mundo contemporâneo.

 

 

“Star Wars: Tarkin” é um dos primeiros livros do novo cânone da saga Star Wars e foi lançado em 4 de Novembro de 2014.

 

 

9 Xícaras

 

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