Samantha! (1ª temporada) – Crítica

Thais Costa 07/25/2018

Estreou no dia 06 de julho a primeira série de comédia brasileira, criada por Felipe Braga e produzida pela Netflix, Samantha! chegou com tudo, revivendo os anos 80. Samantha é uma ex-estrela mirim dessa época e caiu no esquecimento, porém, ela faz de tudo para voltar ao estrelato.

A série traz aquele ambiente nostálgico da televisão dos anos 80, nos remetendo a diversos personagens reais dessa época. (Fala a verdade que quando você viu a Turminha Plimplom e seu hit de cara não lembrou do Balão mágico?) Pois é, a série retrata todas as bizarrices que aconteciam nesse ambiente na época, o totalmente político incorreto, desde uma criança no seu programa infantil fazer propaganda de cerveja até a mascote do programa ser um maço de cigarro de pelúcia.

Samantha interpretada pela Emanuelle Araújo é uma mulher hoje em dia chegando aos seus 40 anos, com dois filhos e um ex-marido que acabou de sair da prisão. A princípio a protagonista não cativa o público, pois ela é egocêntrica, chata, egoísta e totalmente sem noção, mas ao conhecer a vida atual dela, que criou os dois filhos sozinha e muitas outras coisas, começamos a simpatizar com ela. O fato é que a Emanuelle está maravilhosa e com certeza é um dos pontos altos da série.

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A série acertou em resgatar essa nostalgia do mundo televisivo da década de 80, assim como trazer lendas urbanas que eram bastante especuladas na época, como a faca dentro da boneca e o disco tocado de trás para frente que havia uma mensagem subliminar diabólica. Essas brincadeiras com o público impulsiona o telespectador a querer continuar maratonando até o fim.

Apesar do roteiro ser fraco, a série é leve, tem uma narrativa que não inova em quase nada, mas que se sai muito bem sem pecar em grandes aspectos. A série gira em torno da Samantha voltar a ter fama a qualquer custo. A verdade é que ela encontra grande dificuldade em lidar com o que é a fama nos dias de hoje e precisa se atualizar do que é ser famoso atualmente. A série faz uma referência ao mundo tecnológico e toca no assunto com a personagem Laila (Lorena Comparato) uma influenciadora digital exagerada e sem limites, que faz Samantha enlouquecer para entender o que tanto as pessoas veem nela para a seguirem compulsivamente e perpetuar suas atitudes.

É engraçado como Samantha tenta criar artimanhas para conseguir ressuscitar sua fama e voltar aos holofotes, seja por números de seguidores em rede social ou em programas com formato de reality show. O fato é que, a cada tentativa tudo vai por água a baixo, ocasionando muitas risadas para o público. A série diverte. O elenco juvenil é regular, destacando a Duda Gonçalves que interpreta a Samantha criança. Ela atua muito bem, chegamos a ter abuso da Samantha egoísta e prepotente que trata todo mundo mal e até comete gordofobia ao colocar apelido no companheiro de grupo, Bolota. Além disso, o Douglas Costa foi bem escalado para viver o personagem Dodói, ex-marido da protagonista que é preso e perde de vivenciar o crescimento dos filhos. Além dele, também podemos destacar o Daniel Furlan que interpreta o Marcinho, empresário da ex-estrela.

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Ao fim de cada episódio já é deixado um gancho, apontando qual será a nova aventura ou peripécia que Samantha estará envolvida. Isso é novo no mundo das séries, se tratando de comédia, pois a repetição de prévias antes dos episódios cansa o público que pretende ver toda a temporada de uma vez. O tempo de duração dos episódios também é favorável ao binge watching (hábito de assistir a vários episódios seguidos), durando em média de 30 a 35 minutos.

Outro ponto de destaque na série foram as participações especiais da Alice Braga que também assume a produção executiva da série, Alessandra Negrini e o que falar da Gretchen e da Luciana Vendramini? Figuras importantíssimas dessa época. É impossível não ficar com o hit da Turminha Plimplom na cabeça, isso mesmo! E saiba que um dos culpados disso é o compositor e músico Edgar Poças, responsável por criar letras para a Eliana, Dominó e a Turma do Balão Mágico, entre outros. Isso mesmo! Coube a ele escrever a letra das músicas “Abraço infinito” e “Estrela da manhã”, as duas músicas da Turminha Plimplom que tocam em quase todos os episódios e que te deixa viciado e repetindo loucamente. Ou seja, sucesso total. Aliás já estão disponíveis no Spotify. Outra questão interessante é o uso das redes sociais para promover o conteúdo. A Netflix criou um perfil oficial da Samantha no Instagram e todos os dias tem conteúdo, como se estivéssemos acompanhando a vida da Samantha da série, e creia é muito hilário.

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A série patina em alguns momentos, mas nada exagerado, sem apelações, mesmo sendo uma comédia pastelão, faz um humor com contextualizações autênticas, sem exageros. É uma boa dica para relaxar e dar boas risadas. A segunda temporada já está confirmada e deve estrear em 2019. Enfim, Samantha! Chegou para mostrar ao mundo a singularidade cômica brasileira, que pode ser compreendida com o filme Lua de Cristal da Xuxa e o hit “Amigos do peito” (somos amigos) do Balão Mágico, que até hoje servem como referência da cultura pop e embala nossos momentos de saudade de uma época que foi uma das mais queridas.

Nota: 7 xícaras

 

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