Safe a nova série de suspense da Netflix. Vale a pena ver?

Thais Costa 06/6/2018

Estreou no dia 10 de maio na Netflix a sua mais nova série de suspense Safe, em parceria com a estação francesa Canal+. A série traz o famoso ator conhecido por interpretar Dexter (Michael C. Hall). Quem estava com saudades dele, pôde vê-lo na sua recente participação na segunda temporada de The Crown onde interpretou o presidente americano John F. Kennedy e no filme A noite do jogo. Mas aqui ele é o protagonista e assina como produtor executivo e já adianto que isso não basta para a série ter um bom êxito.

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É verdade, sabemos que não importa o papel que ele interprete Michael sempre vai ficar marcado pelo amado Dexter em nossas vidas. Em Safe, ele é Tom Delaney, um cirurgião viúvo que tem uma família aparentemente bem estruturada e que vive em um condomínio de luxo em uma cidade do Reino Unido. Tudo começa quando sua filha Jenny (Amy James-Keller) desaparece tornando a vida do pai um inferno e com isso ele passa a descobrir segredos de sua falecida esposa e de pessoas próximas.

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A série tem vários atributos que a fariam se tornar um grande sucesso, como: O protagonista escolhido, assim como o elenco, que possui grandes nomes destacando a Amanda Abbington que interpreta a policial Sophie, para quem não lembra ela participa da série Sherlock. Além disso a locação é incrível, tudo de muito bom gosto, fotografia excelente, e claro, aquele sotaque britânico que amamos. Respiramos ares europeus nesse cenário. Porém, o roteiro é bem fraco, ralo e repleto de furos em grandes momentos da trama. Isso fica bem perceptível a partir do primeiro episódio.

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Quem ama suspense já deve ter ouvido falar em Harlan Coben, autor de vários best-sellers do gênero e aqui não é diferente, segue no mesmo estilo. Ele mesmo faz questão de adicionar seu próprio nome no título da série. Sabemos que é importante lançar mistérios para prender a atenção do público. Só que em Safe, esses mistérios são lançados a todo momento e de todos os lados, sem a menor preocupação com a coerência, tornando um grande emaranhando que vai ficando chato e cansativo conforme avançam os episódios.

Os personagens são bem rasos, sem profundidade, sem “aparentes” motivações e tudo gira em torno do desaparecimento da filha de Tom. Com isso começamos a conhecer cada um dos personagens e ao mesmo tempo você não se importa com nenhum deles, pois acredito que foi um erro na direção, mas os atores não despertam carisma em grandes momentos da série. Como é o caso de Michael C. Hall, em grande parte da trama ele se mostra apático, sem esboçar “quase nunca” expressões emocionais. Assim como alguns do elenco juvenil que podem entrar e sair de cena que você nem vai sentir falta.

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Além desses pontos negativos, se sobressaem algumas coisas boas como o tempo dos episódios e a dinâmica, ao mesmo tempo que é forçada muitas situações de mistério a série caminha de forma bem frenética e claro terminando cada episódio com os conhecidos cliffhangers. A trilha sonora se sobressai e é um ponto considerado na série, destacando a música de abertura Glitter & Gold de Barns Courtney.

A narrativa poderia ser mais explorada, cada mistério vendido ao longo dos episódios é resolvido de forma bem bagunçada, e como clichê, tudo é deixado para ser esclarecido no último episódio, com um plot twist atrás do outro tentando chocar o público, sem nenhuma coerência lógica. O desaparecimento de Jenny é só um fato que desencadeia toda uma situação do passado que vem à tona trazendo grandes consequências e que prende a atenção do início ao fim. A série termina sendo só mais uma série apelativa de suspense, que no fim o telespectador se pergunta: – Era só isso mesmo? Se você gosta do gênero vale a pena ver, mas digo que não é uma das melhores opções que temos no catálogo da Netflix.

Apesar disso, Safe mostra que é possível sim, ter segredos, que apesar de mostrar um rico, luxuoso e bem vigiado condomínio, cada um que mora lá guarda um segredo, só que nada fica escondido para sempre. Além disso, toca no assunto da segurança digital e o que os pais são capazes de fazer para vigiar e proteger os filhos no mundo tecnológico. Vejo Safe como uma minissérie, ainda não se tem notícias de uma possível segunda temporada, apesar de que o final foi conclusivo não deixando margem para uma continuação.

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