Projeto #leiamulheres / #readwoman

Alrely 07/6/2018

Processed with VSCO with b5 preset

Oi gente!!

Hoje eu trago pra vocês um projeto que vem crescendo no Brasil e no mundo. O Leia Mulheres! Tudo começou com a escritora Joanna Walsh, quando postou no twitter fotos de marcadores de livros que tinha feita, com imagens e nomes de autoras que admirava. Atendeu aos pedidos para que publicasse a lista de escritoras, aceitou sugestões, e em pouco tempo recebeu fotos das várias livrarias que criaram um espaço inspiradas em sua hashtag. A escritora tem várias sugestões para o mercado editorial, que vai desde fortalecer a posição feminina nas editoras até evitar capas homogêneas. “Vender livros de mulheres para mulheres”, que ás vezes dão a ideia errada da obra, com temas florais e toques femininos romanceados. Assim, propôs o projeto #readwoman2014. O impulso de se tornar presencial foi por conta de Juliana Gomes e duas amigas, Juliana Levenreth e Michelle Henriques. Apesar das parcerias, não há intermediários, o contato é diretamente com as gestoras do projeto e as mediadoras de cada cidade, são mais de 70 cidades em todo o brasil.

readwomen2

Por questões históricas, as mulheres na literatura permaneceram à sombra dos homens em diversos aspectos. O primeiro romance do qual se tem notícia foi escrito por Murasaki Shikibu, japonesa, nobre, que no ano de 1007 escreveu um livro chamado “A historia de genji”. Porém, vários nomes tomam destaque mundial como Jane Austen, Virginia Woolf, J. K. Rowling, Agatha Christie, Hilda Hilst, Stephenie Meyer, Gillian Flynn, Veronica Roth, Cassandra Clare, entre outras, que não só estão presentes na literatura mas em várias outras vertentes como a ciência, educação, economia, etc. No brasil  já existem nomes consagrados e que fazem uma diferença enorme na literatura brasileira, Martha Medeiros, Lya Luft, Luisa Geisler, Monique Revillion e Jane Tutikian por exemplo.

Um estudo no brasil revelou que a maioria dos leitores são mulheres, mas as obras femininas são bem escassas nesse acervo. A autora Carola Saavedra deu seu parecer ao IG: “Me parece que as chances de publicar e ser lido são as mesmas. As editoras estão interessadas em literatura de qualidade, ou literatura que venda, independentemente do gênero de quem escreve”, para ela a diferença está no reconhecimento oficial, ou seja, os grandes prêmios, e muitas dessas questões ainda são parte da dificuldade nessas premiações. Márcia Camargo, em 2011, foi a única escritora convidada pela FLIP: “não há diferença de qualidade literária entre homem e mulher. Existem pequenas diferenças no olhar feminino pelo papel que a mulher desempenha na sociedade, mas isso não influencia a qualidade”, afirma. Alice Munro, em 2013, ganhou o Nobel de literatura, um prêmio que começou a ser entregue desde 1901, sendo ela apenas a 13º mulher a recebê-lo. Elena Poniatowska foi a 4º mulher premiada nos quase 40 anos do Cervantes.

Em  entrevista para o Nerd Café com a mediadora aqui de Recife – PE, Maria Carolina Moraes, algumas questões foram levantadas:

Como você acha que o projeto faz a diferença num mercado editorial sexista?

Carol – Tornando o problema evidente e massificado, com a proliferação de clubes, as editoras também querem atender a essa nova demanda. É também um nicho de mercado a explorar, no caso das editoras. Então, para elas creio que seja algo ao mesmo tempo político (a abertura para acatar às demandas) e mercadológico (se há uma maior busca por livros escritos por mulheres, haverá maior esforço em publicá-los). Isso também tem gerado o nascimento de muitas editoras pequenas que vêm para abarcar essa demanda. Por outro lado, acredito que está havendo um movimento “de baixo para cima” muito interessante no mercado editorial… Os clubes de leitura e os slams têm contribuído para essa movimentação. As pessoas não estão esperando mais que alguma editora ou crítico venha a chancelar determinada autora, estão criando seus próprios meios de publicá-la, seja de forma artesanal ou crowdfunding.

O projeto é recente, tende a crescer, o apoio/patrocínio governamental seria um destaque a mais?

Não creio que vamos fazer parcerias desse tipo.Talvez o pessoal que idealizou o projeto se interesse em inscrever algum evento, algo assim, num edital, mas até agora não vi nada desse tipo. O que rola são parcerias com as editoras para baratear o custo dos livros para nós… e por isso fazemos tantas compras coletivas – pois, assim, os dois lados saem ganhando. De todo modo, nos sustentamos sem apoio financeiro. Infelizmente, só a classe média acaba tendo acesso ao clube por causa do transporte e do preço dos livros, então, talvez uma ajuda de custo nesse sentido fosse interessante, mas aí o projeto teria de se reformular. Então, infelizmente, não pensamos nisso por ora.

Qual a visão do projeto referente a Recife? Visto que o grupo tem mais de 1.300 pessoas no facebook e presencialmente esse número sofre uma queda brusca? Isso me leva a questionar o que poderia ser feito para mudar esse cenário?

Para nós, o projeto vai bem. Já temos um grupo meio que fixo de integrantes que sempre aparece, e também de novos rostos, pois sempre aparece um ou outra pessoa diferente. Às vezes achamos que não vai vir ninguém, mas sempre temos público, e isso nos faz saber que o projeto pode seguir adiante.
Quanto ao número baixo de pessoas, pensamos em colocar os encontros nos sábados. Isso vai rolar, provavelmente, em junho. Pensamos em ficar alternando entre quartas e sábados pra tentar satisfazer todo mundo… É a única opção que temos. Já contamos com a ajuda do Edifício Texas, que abriu as portas para nós por dois anos sem nunca ter nos cobrado nada, e, agora, no Instituto Cultural Benfica, que também tem nos ajudado muito, inclusive com a divulgação. Acho que a vida virtual tem muito disso, de as pessoas responderem pouco no mundo real às interações que fazem online. Já vi protestos que contavam com mais de 1.000 pessoas confirmadas e, na hora h, ninguém compareceu. Claro que o oposto também acontece, não há como negar. Obviamente, adoraríamos ter salas lotadas, mas já trabalhamos na divulgação o máximo que podemos. É um projeto que fazemos à parte de nossas atividades, e nos toma bastante tempo. Infelizmente não temos como trabalhar mais na divulgação.

Quais os livros que já foram lidos que você achou mais marcante? E por quê? (se for algo pessoal não precisa responder).

Impossível te responder isso. Todos tiveram muita importância. No entanto, um dos debates que mais gostei foi em torno do livro O Martelo, de Adelaide Ivanova. Também gostei muito da conversa sobre A Mão Esquerda da Escuridão, da Ursula Le Gui. Foi o primeiro livro de ficção científica que lemos, e a resposta foi muito boa. Outro que me marcou foi o encontro sobre Ana Cristina César; acho que foi o evento mais lotado que tivemos. Mas há tantos outros! Carolina Maria de Jesus, Toni Morrison… aprendemos sempre muito com as autoras e os debates. Os livros crescem quando falamos sobre eles. Às vezes acho não ter gostado muito de um livro e, quando chegamos ao debate, vemos quantas coisas boas ele tem pra oferecer. É muito gratificante. 
Nota: Pra quem ficou interessado no projeto, no facebook tem o grupo Leia Mulheres Recife, só entrar lá e vê a lista dos livros e as datas dos eventos, vale muito à pena participar!!

Até a próxima!

 

Tweet about this on TwitterShare on Google+Share on Facebook
Veja mais!

Comente

Comente pelo site ou Facebook

  1. *