Precisamos falar sobre o filme Disobedience (Desobediência).

Thais Costa 08/6/2018

Estreou recentemente nos cinemas o filme Disobedience (Desobediência) que é uma adaptação do livro de mesmo nome, lançado em 2006. É estrelado por Rachel Weisz e Rachel McAdams, com direção de Sebastián Lelio, o mesmo diretor do filme Una mujer Fantastica que levou o Oscar desse ano na categoria de filme estrangeiro.

O filme é um drama/romance muito bem apresentado e com um elenco competente. O enredo do filme gira em torno de Ronit (Rachel Weisz) que após anos afastada da comunidade anglo-judaica onde viveu, precisa retornar após a morte de seu pai, um rabino respeitado e querido na comunidade. A volta de Ronit ocasiona um desconforto para todos ali, a princípio o filme não conta imediatamente o que houve para esse afastamento, mas é possível perceber que foi algo sério. De cara, presenciamos o encontro de Ronit e Esti (Rachel McAdams) que eram amigas e que sentiram uma paixão na infância/adolescência, mas que viveram anos separadas. Quando Ronit retorna, descobre que Esti se casou com Dovit (Alessandro Nivola), que era amigo das duas, e que também é o candidato a ser o rabino no lugar do pai dela. Esse reencontro causa um choque e uma grande confusão de sentimentos entre as duas, que veem a paixão reacender. Ambas lutam, mas não conseguem deixar essa relação no passado e voltam a ter um tórrido romance, bonito de se ver.

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O filme retrata a dificuldade que é viver em uma comunidade onde a religião impõe nossa maneira de ser e viver. Assim como o preconceito que predomina com quem é diferente ou pensa diferente, ou apenas quer que sua vida tome um rumo diferente.

Além disso, é uma obra delicada e de ótimo gosto, as cenas são bem produzidas assim como a fotografia esmaecida dá tom aos momentos sérios que pedem em cada cena. Os diálogos são bem naturais, assim como a atuação das protagonistas que estão de parabéns. A cena de sexo lésbico que existe no filme é extremamente delicada, é possível perceber que foi feita com todo o cuidado que a trama exigia, sem exageros nem forçação de barra. Era uma cena necessária que preenchia a história das duas ali naquela trama e que fazia o público perceber o amor real entre elas.

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A narrativa é muito bem construída, não expõe logo os acontecimentos do passado, nem deixa tudo mastigado, simplesmente vamos descobrindo conforme o roteiro vai caminhando… É uma excelente forma de prender o público a fim de descobrir o que se sucedeu no passado de Ronit com o pai. Mas, já adianto que muitas lacunas não foram preenchidas.

Além de tocar na questão religiosa e da sexualidade, a trama aborda assuntos como a liberdade e a escolha. Uma das cenas mais tocantes nesse filme é o discurso do Dovit, onde ele expressa que necessitamos estar livres para fazermos nossas escolhas. Além disso, podemos vivenciar o empoderamento de Esti e de como ela toma coragem para mudar a sua realidade e deixar de ser oprimida pela comunidade onde cresceu. O filme reflete a mensagem sobre amor e respeito e nos faz questionarmos sobre nossas escolhas e se estamos felizes com elas.

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