Por que você deveria ler a série Lanterna verde/Arqueiro verde?

Dani Souza 08/10/2017

Recentemente foi publicada pela Panini a clássica série onde o Lanterna Verde da Terra Hal Jordan une forças com o Arqueiro Verde e os dois saem pelo país numa viagem sem rumo a fim de ajudar as minorias.

 

Antes de tudo, vamos entender como tudo isso começou: O ano era 1970, o mundo estava passando por mudanças e muitas vozes precisavam ser ouvidas. Aquela altura, o Lanterna Verde havia perdido sua popularidade, e corria o risco de ter sua série mensal cancelada. Enquanto isso, Oliver Queen ganhava mais popularidade como o herói do povo, que falava de problemas sociais. Daí a decisão dos editores de juntarem os dois heróis sob a tutela de Dennis O’Neil e Neal Adams. Esta decisão não poderia ter sido mais acertada.

 

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Como leitora e grande fã da DC, e por gostar muito do Lanterna Verde do Geoff Johns e do Arqueiro clássico, aproveitei a oportunidade, sempre tive muita curiosidade de ler essa obra prima. Pois bem, logo de cara me decepcionei com o Lanterna, achei ele um grande babaca! Nossa, impressionante a diferença entre o lanterna daquela época e o lanterna estabelecido por Geoff Johns, mas vamos lá: Considere a época. Naquela época as histórias não precisavam ter um fundo de complexidade e profundidade, as histórias eram fáceis. Tendo isso em mente, continuei a leitura e logo no primeiro capítulo me deparei com um quadro onde o Lanterna intervém numa situação para ajudar uma pessoa e acaba sendo linchado pela população.

 

Eis então que o Arqueiro Verde aparece e o confronta, explicando a verdadeira situação e mostrando o quão errado estava o Lanterna em ter interferido sem saber o que de fato estava acontecendo. Ao final, um senhor se aproxima dos dois e questiona o Lanterna com uma fala que serve como um tapa na cara: “Cê trabalha pruns anõezinhos azuis… E ajudou uns sujeitos laranjas em outro planeta. Também deu uma forcinha prum povo roxo! Só que cê andou esquecendo duma cor… Por que cê nunca ajudou os negros?!”

 

Mais adiante, outra bofetada na cara de Hal Jordan, em forma de palavras duras que me fez bater palmas. No quadro, Oliver falava sobre minorias, sobre os negros mortos na luta pelos seus direitos, mostrando como o Lanterna se preocupava demais com problemas espaciais e menos com a humanidade em si. Foi quando Oliver o convidou a ir consigo e conhecer o mundo.

 

O ano era 1970, mas parecia que Oliver estava falando de tempos atuais. Se esse primeiro capítulo não te convenceu a continuar a leitura, meu amigo, você é uma pessoa insensível. A partir daí começamos a sentir empatia pelo Hal e olhar o mundo sob uma nova perspectiva, passando a acompanhar seu aprendizado. Junta-se aos heróis um dos guardiões do universo, a fim de aprender com a humanidade e vemos como ele se sensibiliza com as fragilidades humanas. Em um dos capítulos, eles encontram a Canário Negro, e gostei bastante de ver que a heroína tem um papel importante na narrativa, sendo de fato uma heroína que gosta de ajudar as pessoas, não uma donzela em perigo (embora as vezes aconteça vez ou outra da moça precisar ser salva pelo herói, Dinah era muito badass).

 

Se eu preciso escolher uma palavra para definir essa fase, eu ficaria em dúvida entre ousada e inovadora. Durante os 15 capítulos nos foi apresentado indígenas, negros, pobres, planetas superlotados, problemas com drogas, inclusive, este tema tão polêmico foi abordado de uma forma tão envolvente que mudou a forma como os quadrinhos eram escritos, mexendo diretamente com as regras do Comics Code Authority, além do capítulo chamado “Nas veias (Snowbirds don’t fly, no original)” ter sido elogiada pela relevância para a juventude do país, em carta redigida pelo prefeito de Nova York para a DC Comics. A capa polêmica trazia um herói lidando com problemas de vício em drogas e por que isso foi chocante? Para que a sociedade visse que o herói muitas vezes não passa de um humano e tem fraquezas humanas. Era alguém com quem os jovens pudessem se identificar. E a mensagem que o arco trazia em sua conclusão era: Uma guerra que mata silenciosamente. Mais mortal que a bomba atômica. Este capítulo mostrou também o quanto é importante o amor e apoio dos entes queridos na recuperação.

 

No volume 3 da série, além da conclusão do arco do Roy Harper/Ricardito, temos outros arcos importantes, como Hal Jordan se reconciliando com Carol Ferris, Oliver Queen se questionando sobre o que mais poderia fazer e a decisão em se tornar prefeito da cidade, e a apresentação do acidente sofrido por Guy Gardner, culminando na escolha de John Stuart como Lanterna Verde substituto de Hal.

 

Enfim, caro leitor, consegui convencer você a ler esta magnífica fase? Espero que sim! Se você já leu, comente comigo, se ainda não leu, não perca tempo! Peça emprestado ao colega ou tente conseguir em lojas especializadas, essa leitura vale muito a pena!!!

 

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