Orange is the new black (6ª temporada) – Crítica (Com spoilers!)

Thais Costa 08/17/2018

Finalmente depois de um período de atraso, estreou a tão esperada 6ª temporada de Orange is the new black, depois do cliffhanger deixado na última temporada, ficamos ansiosos para ver o que aconteceu com cada uma após a rebelião em Litchfield.

A temporada começou devagar mostrando como cada uma estava se adaptando na segurança máxima. Aos poucos vai matando a nossa curiosidade, mas ao mesmo tempo introduzindo novas personagens, que de início não despertam interesse nenhum do público, mas com o desenvolvimento da trama, vai mostrando a importância de cada uma ali dentro.

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Como em todas as temporadas anteriores, OITNB desperta os mais variados sentimentos dos fãs, desde uma risada por uma cena cômica até a perplexidade ao se deparar com situações de injustiça e corrupção. Já adianto que essa temporada em poucos momentos arranca risadas e só nos faz nos sentirmos cada vez mais impotentes sobre as decisões da Justiça de culpar ou inocentar um indivíduo. Destacando as desigualdades raciais e sociais.

De cara conhecemos as perigosas irmãs Denning, Carol (Henny Russel) e Barbara (Mackenzie Phillips) que dominam os respectivos blocos C e D. Vimos que por culpa da briga entre as duas, a prisão foi dividida em gangues que só querem se destruir. Ambas são as cabeças de seus grupos e fazem as detentas comprarem suas brigas e arriscarem suas vidas. Inicialmente, Suzanne (crazy eyes) interpretada por Uzo Aduba e Frieda (Dale Soules) ganham bastante espaço nos primeiros episódios. Descobrimos o que a Frieda fez para ir para a segurança mínima e nos é mostrado o envolvimento dela com as irmãs Denning.

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Também, acompanhamos todos os maus tratos que Daya (Dascha Polanco) e Taystee (Danielle Brooks) sofrem nas mãos dos guardas em represália aos acontecimentos da rebelião. Ao mesmo tempo, vamos acompanhando a busca frenética de Piper (Taylor Schilling) por Alex (Laura Prepon). Não é segredo para ninguém que Piper é aquela protagonista chata, sem sal e que não cativa ninguém na série, mas nessa temporada ela faz parte de momentos importantes na trama, como usar suas artimanhas para trazer de volta o jogo de Kickball para a recreação das presas e o seu diálogo memorável com Taystee, no qual Taystee dá uma aula sobre desigualdade social e explica os privilégios que ela tem e as outras não.

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O relacionamento entre Piper e Alex, mais uma vez não acrescenta em quase nada para a trama, fazendo com que as cenas sejam bem sem graça entre elas e até cansativas em certos momentos, salvo o momento do casamento, que é bem fofo e carinhoso. E foi a gente que pediu!

Essa temporada não é fácil para ninguém, mas sem sombra de dúvidas Taystee leva a pior, sendo culpada por um crime que não cometeu e pagando o pato, pela péssima ação dos guardas na rebelião. Daya, Maria (Jessica Pimentel) e Red (Kate Mulgrew) também sofrem consequências pesadas, sendo punidas e algumas traídas por quem julgavam ser “seu grupo”, no caso de Red. Só nos jogando na cara o quanto elas são vítimas da corrupção e de abusos ali dentro. E que ninguém olha por elas, por simplesmente as considerarem a escória da sociedade.

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Além disso, como nas temporadas anteriores, os flashbacks continuam e ainda bem, porque é um ponto alto na série, que desperta a atenção do público (destaque para essa temporada é o crime das irmãs Denning, que é bem brutal por sinal). Que nos deixa curiosos desde o momento que somos apresentados a elas e vimos que elas passaram uma vida inteira presas e rivais.

Em contrapartida, além delas, também nos foi apresentado a continuação do passado de algumas outras detentas já nossas conhecidas e só descobrimos que cada uma levava sua vida e enfrentava suas dificuldades do jeito que dava, e em determinado momento tiveram que cruzar a linha do ilegal. Nos fazendo refletir e nos colocarmos no lugar de cada uma ali, e ver que ninguém é de todo mal ou ruim, por um deslize você pode parar num lugar como Litchfield e fazer parte de algo maior, mesmo que não seja sua vontade e com isso piorar sua situação.

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A corrupção dentro do sistema prisional, nos remete a muitas sensações nessa série, desde os guardas, passando pela direção até a empresa que administra o presídio. É um ciclo vicioso que nos deixa com raiva e perplexos com tudo que elas estão sujeitas a passar ali dentro. E isso infelizmente é bem pior na vida real. O final nos desperta uma ira, ao nos depararmos com uma reviravolta cruel que acontece com a personagem Blanca (Laura Gómez), uma detenta imigrante de origem latina. Essa situação que é retratada com ela é uma crítica ao que anda acontecendo nos EUA. E não é fácil de assistir, assim como é absurdo na vida real.

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Porém diante disso tudo, temos cenas e momentos de leveza, como Lorna (Yael Stone) grávida querendo comer cheetos o tempo inteiro e Nicky Nichols (Natasha Lyonne) cuidando da alimentação dela, que por sinal continua maravilhosa em sua atuação, sem sombra de dúvidas ela é responsável por alguns melhores momentos dessa temporada e que nos arranca risadas. Assim como as cenas do jogo de Kickball que só nos faz perceber que elas no fim das contas só queriam uma recreação digna.

Falando tecnicamente, essa temporada foi mediana, começou com uma narrativa lenta, que foi evoluindo aos poucos, mas patinou em vários momentos. Isso cansa o telespectador e o faz desistir de maratonar. Sinceramente, essa temporada não precisava de 13 episódios, se fosse 10 já seria ótimo. Pareceu que as personagens entravam em cena em momentos oportunos e que não agregavam muito para o desenvolvimento da trama. Um exemplo disso é a Sophia Burset (Laverne Cox) que sempre foi uma personagem importante para a série, mas que nessa temporada mal apareceu e não teve espaço, assim como a ausência da Maritza (Diane Guerrero), sentimos falta da melhor amiga da Flaca (Jackie Cruz).

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Alguns diálogos nem precisavam ter existido, não fizeram sentido para a trama e no fim das contas nos deu a sensação de encheção de linguiça. Coisa que foi sendo modificada do meio para o fim da temporada. No qual os episódios foram terminando com ganchos mais competentes e um último episódio de 1:24h de duração, que nem precisava ser assim, se a temporada fosse mais frenética, objetiva e conclusiva.

No fim dessa temporada foi deixada uma possibilidade de continuação, mas OITNB precisa melhorar em alguns pontos como a trama e a objetividade, por exemplo. Essa temporada não se pareceu em quase nada com aquela série que amamos e que contamos nos dedos o tempo para o retorno. No mais, quem é fã da série pôde finalmente matar a saudade das suas personagens preferidas e vivenciar um pouquinho como cada uma está levando à vida na segurança máxima. Mesmo com alguns pontos negativos OITNB continua nos fazendo chorar e refletir sobre as personagens que são cheias de camadas e complexidade. Vale salientar que a série já estava com sétimo ano garantido, devendo estrear entre junho-julho de 2019.

 

Nota: 8,5 Xícaras.

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