O Rastro

Jaderson Henrique 05/29/2017

O suspense/terror nacional que fala sobre os problemas na saúde pública, promete um padrão hollywoodiano.

 

capitalO cinema de terror não tem muita expressividade no Brasil. O principal representante do gênero aqui, ainda continua sendo o nosso Zé do Caixão. Ele produziu e dirigiu diversos filmes nas décadas de 80 e 90. De lá pra cá, tivemos poucas e modestas produções com temática de suspense ou terror sobrenatural. Temos cineastas recentes como Tiago Belotti que produziu e dirigiu duas produções sobre zumbis no Brasil chamada: A capital dos Mortos 1 e 2; vimos filmes como: Quando eu era vivo; Mar negro; Porto dos mortos; Isolados. Sempre em produções muito baratas e sem muita repercussão nos cinemas ou na maioria das vezes nem chegam a entrar em cartaz.

 

 

O filme conta a história de João (Rafael Cardozo) um ex-médico que trabalha no setor administrativo e é encarregado de organizar a transferência de pacientes de um antigo hospital no Rio de Janeiro, que ira fechar devido às péssimas condições em que se encontra. Em meio à conturbada transferência, uma das pacientes, uma estranha criança abandonada de nome Julia (Natália Maciel Guedes) desaparece sem deixar vestígios. João começa então uma investigação para encontrá-la e começa a duvidar de sua sanidade mental ao ser assombrado pelo fantasma da menina.

 

O longa é dirigido por Jonathan Feyer, que consegue criar um clima de tensão e curiosidade aqui. O hospital que foi usado como locação, de fato existe e está abandonado a muito tempo o que ressalta o clima sombrio do filme. Ele ainda usa uns enquadramentos interessantes e utiliza muito bem o foco da câmera brincando com isso deixando alguns elementos ora focados ora desfocados. Existe uma brincadeira com luz e sombra bem clássica de filmes de terror, mas, que são bem empregadas.

 

rastro 2

 

O maior pecado se dá no uso excessivo do já saturado “jump scare”, que são aqueles barulhos altos em determinados momentos para assustar a plateia existem alguns desnecessários e repetitivos. O segundo ato do filme também é problemático e perde um pouco de ritmo, mas se recupera no terceiro e tem um final bem interessante, que faz uma crítica ao sistema de saúde no Brasil.

 

O elenco está bem,  Rafael Cardozo consegue passar a ideia de um homem consumido pelo mistério do desaparecimento. A Leandra Leal está ótima como a esposa dele, no inicio parece que sua personagem não vai ter muita importância, mas, durante o filme começa a ganhar espaço e está muito ligada ao plot twist do desfecho. O elenco conta ainda com Cláudia Abreu, Felipe Camargo e Jonas Bloch todos com participações significativas e importantes a trama.

 

O Rastro pode não é um dos melhores filmes de terror dos últimos tempos, inclusive o lado sobrenatural é o seu elo mais fraco, mas consegue criar um ar sombrio e angustiante e mantém a curiosidade do espectador.

 

Nota: 7,5 Xícaras

Tweet about this on TwitterShare on Google+Share on Facebook
Veja mais!

Comente

Comente pelo site ou Facebook

  1. *