O poder da representação no cinema frente aos casos de abusos e assédios em Hollywood

Nerd Café 03/8/2018

 

Por Adriana Amâncio

 

Dezenas de mulheres trouxeram à imprensa diversas denúncias de assédio e abuso sexual possivelmente cometidos por Harvey Winstey, nome consagrado da produção cinematográfica em Hollywood e sócio-proprietário da The Weinstein Company. Embora os relatos, que envolvem as atrizes Angelina Jolie, Gwyneth Paltrow, Ashley Judd, entre outras sejam recentes, os relatos dão conta de abusos ocorridos desde 30 anos atrás. Além de Winstey, outros grandes nomes do cinema  tiveram seus nomes ligados à práticas de assédio e abuso sexual.

 

Harvey Weinstein

                                        Harvey Weinstein

 

Possíveis casos de pedofilia também ocupam o submundo do glamour do cinema. Corey Feldman, astro de “Os Goonies”, clássica série de aventura infantil dos anos 80 que o diga! Em público, ele declarou ter sido vitima de pedofilia no auge da fama, segundo matéria publicada na Revista Monet. A denúncia foi sucedida de outra informação, causa do silêncio em relação aos casos: “infelizmente, Califórnia convenientemente tem um estatuto de limitações que impedem que isso aconteça. Porque se eu mencionar o nome de qualquer um, eu serei o único que irei enfrentar problemas com a lei.”

 

A evidência dos casos de assédio, abuso e outras formas de preconceito nos bastidores da produção nunca foi tão forte em Holywood. Nos palcos dos eventos de tapete vermelho, os agradecimentos foram entremeados e, por muitas vezes, substituídos por palavras de ordem, que cobravam a punição. No Globo de Ouro 2018, o preto e o protesto deram o tom do traje a rigor. Uma das maiores personalidades de TV do mundo, Oprah Winfrey, promoveu um discurso lendário, reiterando o clamor de justiça às recentes denúncias de assédio e abuso sexual.

Sidney Poitier é o primeiro negro a ganhar um Oscar na categoria Melhor Ator, em 1963.

Sidney Poitier é o primeiro negro a ganhar um Oscar na categoria Melhor Ator, em 1963.

 

Em paralelo, o próprio cinema comprou uma briga contra o preconceito e os casos de abuso e assédio sexual. Incitando a solidariedade como forma de combate ao racismo no bem recebido filme “Pantera Negra”. Em “The Post – guerra secreta”, mais do que a relação investigação jornalística, Estado e Guerra do Vietnã, ficou notável a liderança e o empoderamento de Katharine Graham, herdeira do jornal The Washington Post, muito bem evidenciados por Meryl Streep. Por fim, ao menos na telinha, a co-produção HBO, “Miss Sherlock” trará uma versão feminina do investigador Sherlock Holmes (Yuko Takeuchi), que terá como companheira a Dra. Watson (Shihori Kanjiya). Nas telonas, após a última produção com Daniel Craig, em 2019, o próximo James Bond poderá ser negro ou mulher, confidenciou a produtora da franquia Barbara Broccoli à Revista Roling Stone.

 

Segundo Anderson Barretto, mestre em Comunicação pela UFPE, a intensificação de representações diferenciadas dos discursos dominantes tem o poder de combater as práticas. “Semioticamente, as imagens são capazes sim de fortalecer exatamente esses posicionamentos, sobretudo quando somos levados pela narrativa fílmica a gerar ou não identificação com um personagem e não com o outro, por exemplo, ou mesmo quando me identifico e inconscientemente me projeto naquela personalidade da ficção” destacou.

 

Se a preocupação de Hollywood sempre foi aliar rentabilidade com discursos antagônicos, Pantera Negra mostra a receita. O filme obteve um faturamento de US$ 242,2 milhões, em seu fim de semana de estreia nos Estados Unidos. Além disso, a produção também lidera a Billboard 200, principal parada de álbuns do mundo com a trilha do longa, que tem curadoria do rapper Kendrick Lamar e já vendeu mais de 130 mil cópias.

Tweet about this on TwitterShare on Google+Share on Facebook
Veja mais!

Comente

Comente pelo site ou Facebook

  1. *