Marvel’s Spider-Man (Crítica)

João Vitor Rezende 10/8/2018

O Homem-Aranha possui uma longa e dual história na indústria de jogos, estando presente em praticamente todas gerações de consoles até aqui. Entretanto, apesar da extensa gama de produções ao longo dos anos, quase nenhuma conseguiu expressar um nível de qualidade digno do aracnídeo. Felizmente, esse não é o caso de Marvel’s Spider-Man, que se mostra como uma das obras mais fiéis ao cerne do personagem e estabelece-se como o melhor jogo do super-herói até então.

 

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A narrativa mostra-se como o elo mais forte do jogo, criando um universo autoral e respeitoso às origens do amigão da vizinhança nos quadrinhos, além de referenciar as adaptações cinematográficas. Isto é, a trama apresenta um Peter Parker maduro e experiente como Homem-Aranha, em seus já oito anos de combate ao crime. Formado, Peter trabalha como cientista e tem dificuldade de equilibrar suas responsabilidades no âmbito heroico e na vida pessoal. Posto que o contexto tenha sido explorado diversas vezes em diferentes mídias, Marvel’s Spider-Man ainda consegue extrair uma ótima história, carregando consigo a essência do personagem, ou seja, os elementos que o fazem tão emblemático, icônico e adorado universalmente.

 

O personagem principal possui um arco baseado na jornada do herói, estrutura básica, mas atemporalmente relevante e carrega o cerne de um Peter Parker extremamente relacionável, que tem dificuldade de pagar as contas e conciliar a vida de super-herói com o difícil cotidiano humano. O protagonista transfere a essência altruísta, corajosa, inteligente e adorável, já estabelecida em sua mitologia nas HQs e no cinema. Sua energia e senso de humor combatendo os antagonistas é associável ao Homem-Aranha da Marvel Studios, igualmente integrado às nuances dos anos 10, e como encontra-se na fase adulta, lembra também a versão interpretada por Tobey Maguire na trilogia de Sam Raimi.

 

Junto à Parker, o roteiro trabalha em cima de outros três protagonistas, Tia May, Mary Jane e Miles Morales, sendo os dois últimos jogáveis em diversos trechos da campanha. Esses são muito bem desenvolvidos e suas motivações são palpáveis e consistentes, representando a alma do jogo. Há momentos em que o desenrolar de suas relações com o herói chegam a causar arrepios e em determinada cena ao final da história, podem levar qualquer indivíduo as lágrimas. Assim, os personagens adicionam vida ao jogo, proporcionando uma conexão crucial do jogador casual com a obra e aquecendo o coração dos fãs de carteirinha.

 

Apesar de previsíveis, no geral, o desenvolvimento da história e suas reviravoltas são muito bem construídos, traçando um bom arco emocional tanto para os protagonistas quanto para os antagonistas, não chegando a incomodar o jogador ou comprometer a trama.

 

Em relação ao gameplay, pode-se dizer que ser o Homem-Aranha nunca foi tão prazeroso. A jogabilidade fluida, atrelada às mecânicas de combate e “Web Swing” proporcionam uma experiência extremamente imersiva e divertida ao jogador.

 

Sendo produzido pela Insomniac Games de Rachet and Clank e Sunset Overdrive, era de se esperar que o jogo possuísse uma estrutura de combate rápida e criativa. Ainda mais se tratando do Homem-Aranha, cuja agilidade super-humana é uma marca do personagem. E os “Gadjets”, criados por Peter Parker, são elementos-chave para a fluidez das batalhas, representando uma sacada formidável e expandindo as possibilidades durante a progressão do game. Porém, esse conceito não se aplica muito bem às “Boss Battles”, que apesar de narrativamente épicas e bem conduzidas visualmente, tornam-se repetitivas e não apresentam grande dificuldade, nem mesmo no modo mais difícil.

 

A movimentação do Homem-Aranha executada no game é impecável e em vários momentos, me peguei perdendo horas balançando pelos prédios e observando os detalhes da imensa Nova Iorque representada no jogo. Aliás, nunca vi uma cidade tão viva em um jogo do personagem, cujos gráficos excelentes são perceptíveis nos lindos arranha-céus, monumentos, referências ao universo Marvel como a Torre dos Vingadores e o Sanctum Sanctorum, e na própria população, agora mais interativa.

 

O sistema de missões é simples e soa como a base de um RPG. E como o jogo é pautado em um mundo aberto, é permitida a intercalação entre a campanha, focada na história principal, e as missões paralelas, que envolvem alguns personagens conhecidos da mitologia do Cabeça de Teia. Além disso há várias pequenas tarefas das quais é possível adquirir fichas para evoluir habilidades e desbloquear trajes. Como por exemplo, procurar mochilas perdidas do Peter, resolver crimes em andamento e tirar fotos de monumentos por toda Nova Iorque. Todavia, ainda que não comprometam a experiência, esses elementos podem se tornar um tanto repetitivos ao decorrer do jogo.

 

Em síntese, Marvel’s Spider-Man é em termos técnicos, excelente, e traz consigo uma narrativa saudosista e respeitosa, transportando o cerne do Homem-Aranha para os videogames. O jogo não é perfeito, mas, com certeza é o melhor do personagem até aqui, abrindo possibilidades para futuras sequências e quem sabe para a consolidação de um universo Marvel nos games.

 

Marvel’s Spider-Man, produzido pela Insomniac Games, é exclusivo para Ps4.

 

 

9 Xícaras

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