Falta de responsabilidade nas produções da DC/CW?

Paulo Silva 05/31/2017

Assim como a Marvel desenvolveu a fórmula “perfeita” de fazer cinema, ao menos um cinema rentável, a DC Comics se encontrou na TV com seus heróis de viés mais leve, porém com uma pitada, talvez exagerada, de dramaticidade. O sucesso da casa no mundo dos seriados não é de hoje. Na década de 1990, por exemplo, uma série baseada no Flash chamou atenção do público com um formato novo, mas que durou apenas uma temporada. Já nos anos 2000, o Superman ganhou uma versão mais jovem em Smallville, a qual permaneceu no ar por dez longas temporadas, fidelizando um público enorme para o herói. Pode-se dizer que Smallville causou uma verdadeira revolução nos seriados de herói, tornando-se o ponto de partida pra diversas outras produções.

 

 

 

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Os tempos agora são outros, estamos em 2017, e podemos dizer que a temática Nerd está consolidada, não só na TV como também no cinema. Enquanto a DC ainda tenta fincar-se nas telonas, suas produções televisivas mais recentes têm feito muito sucesso, sobretudo entre os jovens.

 

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Essa nova leva de programas surgiu com Arrow, em 2012, pela CW, adaptando as histórias do Arqueiro Verde. Em seguida veio The Flash, em 2014, também pela CW. Posteriormente, a produtora lançou um spin off chamado Legends Of Tomorrow, um time de heróis e “vilões” oriundos das séries anteriormente citadas que viajam pelo espaço/tempo resolvendo problemas cósmicos, por assim dizer. Em 2015 a CBS lançou a série Supergirl, a qual foi transferida para a CW em sua segunda temporada.

 

cw4O super time de programas DC/CW tem sido muito rentável para as empresas a exemplo de Flash que, na sua estreia, rendeu a maior audiência da história da CW, o que era de se esperar, dado o hype dos heróis nos tempos atuais e também a qualidade com a qual esses shows são – ou eram – produzidos. Entretanto, estaria a produção dessas séries abrindo mão dessa qualidade e enchendo linguiça para compreender o altíssimo número de episódios por temporada a medida que os anos vão passando?

 

 

Bom, as séries da DC costumam ter de 22 a 24 episódios, o que é muito perigoso. Pra se ter uma ideia, esse formato é comumente utilizado em comédias, tendo em vista que elas, geralmente, não são regidas por uma história maior que precise de um início, meio e fim. Quando séries de ação/aventura decidem fazer uso desse formato há de se ter muita responsabilidade com a história a ser construída, levando em consideração que o risco de se perder é enorme. Talvez isso não aconteça de cara numa primeira temporada, mas a continuidade do show acaba sendo comprometida. Arrow e Flash, por exemplo, estão nas suas quinta e terceira temporadas, respectivamente, e são perceptíveis os problemas criativos de ambas equipes. 

 

 

CW5Os primeiros episódios dessas séries costumam apresentar um grande vilão, o qual eles pretendem carregar até o final da temporada. Em seguida, consumimos uma gama de subtramas que duram, no máximo, dois episódios, até que cheguemos nos últimos episódios de saco cheio, quando eles nos jogam um clímax de tirar o fôlego devolvendo-nos o tesão. Temporada vai, temporada vem até que isso fique muito cansativo e afaste o público – o que já é quase o meu caso -.

 

 

Quem assistiu Power Rangers na TV Globinho e assiste, hoje, Arrow, Flash, Legends e Supergirl, conseguirá estabelecer ligações fortes entre elas, tendo em vista que o formato com diversas subtramas é típico de séries com uma conotação mais infantil. Isso não seria um problema se fosse a ideia original dos shows da CW, mas elas foram desenvolvidas para um público jovem, não infantil.

 

Um exemplo claro de que é possível carregar bem um enredo em 20 e poucos episódios é a série Gotham, da Fox. Nela, acompanhamos a saga do detetive James Gordon quando o Batman era apenas uma criança. Gotham tem uma fotografia escura, o que condiz com seu clima pesado e eles conseguem manter uma história coerente por tanto tempo sem precisar de muitas subtramas.

 

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Voltando a CW, não são só as subtramas que são utilizadas para tapar buraco durante as temporadas, elas também estão repletas de diálogos maçantes sobre um sentimentalismo bem clichê. Os dilemas do herói são aqui abordados praticamente em todos os episódios. Num dado momento, Oliver Queen acha que a cidade não precisa do Arqueiro, noutro ele decide que precisa atuar e salvá-la mais uma vez. Uma hora Barry Allen acha que tem que se afastar daqueles que ama, noutra ele monta uma equipe com sua família e amigos, um verdadeiro nepotista! É difícil de entender…

 

Essas não são as palavras de um hater! Pelo contrário, sou um grande fã e consumidor da DC Comics e é por isso que teci críticas tão fortes às suas séries. Infelizmente as produções desses programas têm se perdido, mas ainda é tempo de voltar atrás e consertar uma coisinha aqui e outra ali, visto que seus públicos são bem numerosos e muito fiéis. Tudo que eu peço é um pouco mais de responsabilidade com as tramas desenvolvidas e isso envolve muita coerência na criação das histórias.

 

Se você concorda ou discorda de mim não deixe de opinar! Até a próxima.

 

 

 

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