ESPECIAL BIENAL – Muitos quadrinhos no Távola Nerd!

Dany Souza 11/17/2017

Colaboração: Penélope Guimarães (Nerd Café)

A XI Bienal do Livro de PE, que aconteceu entre os dias 06 e 15 de outubro, trouxe consigo uma inovação em seu formato: trata-se do Távola Nerd, um espaço dentro da própria Bienal onde rolou uma programação especialmente voltada para o público nerd/geek. O espaço foi organizado pela união dos veículos Nerd Café e Potterando, junto a diversos colaboradores, que trouxeram uma programação recheada de bons conteúdos, abrangendo grande parte do público nerd.

O maior acerto da Bienal e a grande conquista do Távola Nerd foi a inserção do Artist’s Alley, formada por 15 artistas pernambucanos que vieram mostrar seu trabalho e interagir com o público através da venda de prints, quadrinhos e livros. Alguns artistas inclusive, lançando trabalhos na ocasião, como é o caso de Leonardo Santana, que lançou a adaptação de Fausto.

crédito: Yuri Max

Outro grande acerto do Távola Nerd foi a inserção do tema “Quadrinhos” na programação, pois como sabemos, quadrinhos também é literatura. Ficamos muito felizes em fazer parte disso e trazer esse conteúdo tão especial para uma galera muito legal. Para quem não pôde participar, vamos contar um pouco do que rolou.

Painel “A morte das mensais? As grandes coleções e o que gostaríamos de ver republicado”

O painel intitulado “A morte das mensais” trouxe para o debate Orlando, mais conhecido como Odin, proprietário da banca Guararapes e colecionador de quadrinhos, para interagir com Daniele Souza e Rafael Melo (Nerd café), com a mediação de Cezar Vasconcelos (Nerd Subversivx).

O debate começou transformando seu título em pergunta: as mensais estão morrendo? Orlando então expôs seu ponto de vista, como comerciante, e como vem melhorando sua estratégia para fidelizar seus clientes. As revistas mensais, na opinião de Odin, trazem novos leitores ao mundo dos quadrinhos, o que pra ele, é uma felicidade ver leitores tão jovens embarcando na jornada.

Dani Souza, por sua vez, mostrou a importância dos quadrinhos mensais como um grande indicador de mercado, pois, o material publicado primeiramente no formato mensal é avaliado em número de vendas e popularidade, para posteriormente vir a ser publicado como encadernado.

Cezar levou de seu acervo pessoal vários formatos de quadrinhos, desde o formato Ebal até a Panini nos dias atuais. Em relação ao material que poderia ser publicado, Rafael mencionou um grande desejo (já realizado) que era a republicação de Superman – Entre a foice e o martelo, história que conta o que teria acontecido caso a nave que trazia o bebê Kal-El caísse na União Soviética em vez do Kansas.

Dani Souza relembrou duas publicações: a primeira, um material que ela leu há muitos anos quando saiu no Brasil em 2004, que é o crossover LJA vs Vingadores, um material que merece ser publicado em formato de luxo, e a segunda publicação seria os Novos Titãs, por Marv Wolfman e George Pérez.

morte das mensais

crédito: Nerd Café

Painel “Quadrinhos: o mundo além dos super heróis”

O intuito do painel era mostrar que nem de super heróis vive o mundo do entretenimento dos quadrinhos. Embora os super heróis sejam extremamente populares e consequentemente, campeões de vendas dentro de gigantes como Marvel e DC, o nicho conta ainda com outras boas editoras bem conhecidas e até mesmo independentes.

Nesse contexto, Cezar Vasconcelos (Nerd Subversivx) e Bruno Alves (Geek Café) trouxeram para o debate o formato de origem italiana Fumetti. Dentro desse formato, nomes como Tex e Conan são bem populares, e foram citados também outros títulos como Julia, Ken Parker, Mágico Vento, Zagreb, Mister No, Dylan Dog, Martin Mystery e Nathan Never.

Dany Souza (Nerd Café) deu continuidade ao debate introduzindo o conceito da Vertigo, uma linha editorial da DC Comics que trata de publicações com temas mais adultos e sombrios. Nomes familiares do público como Constantine e Lúcifer, que hoje possuem séries na televisão tiveram sua origem nos quadrinhos da Vertigo. Outras publicações do selo Vertigo incluem ainda a aclamada obra de Neil Gaiman, Sandman, obras lendárias de Alan Moore como A Saga do Monstro do Pântano, Hellblazer (vários autores) que traz a saga de John Constantine e obras mais atuais como Xerife da Babilônia, Y, o último homem, Vampiro americano, 100 Balas, Homem Animal e Corpos.

Michelle Ramos (Zine Brasil) em seu tempo de painel nos presenteou com uma bela menção aos quadrinhos da MSP, que em sua trajetória de clássicos como Turma da Mônica, cresceu passando por um momento de transição com a Turma da Mônica Jovem e por fim estabelecendo o formato Graphics MSP, que reinventava personagens conhecidos do velho público como Astronauta (Magnetar, Singularidade), Bidu (Caminhos), Penadinho e a própria Mônica e sua turma (Laços, Força, Chico Bento Arvorada). Ainda, Michelle trouxe para o debate as preciosas hqs autorais e independentes como A Noiva (Thony Silas e Eron Villar), Greg, Quando um homem ama uma mulher, Necromorfos, Nanquim Arretado e O amor em quadrinhos.

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crédito: Yuri Max

Painel “Marvel vs DC”

A proposta do painel era pesar os dois lados dessas duas grandes editoras que vem ganhando espaço e rivalidade entre os fãs para definir de fatos quem está mesmo com a moral: DC ou Marvel? Para defender a DC Comics contamos com Cezar Vasconcelos (Nerd Subversivo) e Penelope Guimarães (Nerd Café), e para levantar a bandeira da Marvel, Deco Neves (Qualquer coisa LTDA) e Thomaz Willians (Aluga-se para o fim do mundo).

De uma forma descontraída, foi levantada discussões interessantes a respeitos das produções das editoras. Primeiramente em relação a produção dos filmes, fator que está em alta. Foi pontuado que a DC Comics foi a primeira a entrar em ação em relação as telonas com o primeiro filme baseado em super-herói de histórias em quadrinhos feito exclusivamente para cinema: Superman (1978) e ressaltando a importância dos seus efeitos especiais que são, ainda hoje, uma inovação nos filmes de ficção. E em sua defesa, a Marvel foi a pioneira em relação ao Universo Compartilhado e estreou com Homem de Ferro e a partir daí, manteve a liderança de público e crítica com sua formula de roteiro e humor.

Em seguida, foi a vez de enumerar as animações. A DC Comics saiu na frente com uma vasta gama de animações que vem desde antes dos anos 90 e continua a conquistar os fãs com as animações atuais. A Marvel tem um número mais reduzido de animações, das quais se destacaram as animações dos anos 90 como Xmen e Homem Aranha, mas as atuais animações sofrem com os direitos autorais divididos. E por fim, foi colocado em questão o principal: Histórias em Quadrinhos. A discussão ficou bastante acalentada onde a defesa para DC Comics girou em torno de ser a “Casa dos Clássicos” e a Marvel ser a casa dos grandes arcos.

Então por fim, foi lançada a pergunta: Quem ganha? Como bem dito pelo querido Cezar: “Quem ganha somos nós, os fãs”, pois a busca pelos trabalhos e adaptações dos quadrinhos vem ganhando grande espaço e, mesmo com discussões e desavenças, todos os fãs de quadrinhos buscam pelas grandes produções, sejam elas quadrinhos, filmes, animações ou jogos, e com isso gera a oportunidade de muitas produções incríveis.

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crédito: Nerd Café

Painel “Quadrinhos na educação”

 

No painel sobre quadrinhos na educação, Fábio Paiva (Eduquadrinhos) e Bruno Alves (Geek Café) trouxeram para o público várias maneiras de como os quadrinhos podem ser utilizados de forma didática com o intuito de facilitar a aprendizagem, trazendo uma nova abordagem ao introduzir algo que atualmente é muito adorado pelos jovens. Nossos palestrantes mostraram com embasamento científico que algo que no passado foi rotulado como “coisa para criança” hoje, tornou-se uma poderosa ferramenta na formação do cidadão. Como resultado dos estudos, Fábio Paiva, Doutor em Educação, tem duas publicações originadas de sua pós-graduação: O livro intitulado Educação e violência nas histórias em quadrinhos do Batman foi resultado de sua dissertação de mestrado, e o livro Histórias em quadrinhos na educação, que tem capa assinada pelo artista pernambucano Thony Silas, é fruto de sua tese de doutorado.

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crédito: Yuri Max

Painel “O mercado de quadrinhos no Brasil)

Um dos painéis mais esperados sobre quadrinhos dentro da programação do Távola Nerd foi o que tratava sobre o panorama do mercado de quadrinhos no Brasil, que trazia nomes como Thony Silas (Marvel, DC, UEON Productions), Eron Villar (UEON Productions), João Janguiê (Empresário e Colecionador de quadrinhos) e Carol Pimentel (Panini). O debate foi bem acalorado, com os palestrantes mostrando o quanto a procura pelos quadrinhos vem aumentando com o passar do tempo. João Janguiê fez duras críticas em relação a distribuição da Panini para o Nordeste e a falta de acesso a certos materiais. Carol Pimentel por sua vez, tratou do assunto com muito jogo de cintura, explicando que muitas decisões editoriais não cabem ao Brasil, uma vez que a Panini é uma filial, tendo sua sede na Itália. Janguiê, com toda a sua experiência no ramo empresarial, propôs soluções que a gigante italiana poderia aderir para adequar a demanda ao público brasileiro, que é bem maior que o da Itália, e que por esse parâmetro, a Panini não poderia ter a Itália como base para as suas decisões editoriais. Após duras críticas e um painel com discussões muito construtivas, Janguiê se mostrou grande apoiador da cena do quadrinho nacional, chegando a oferecer um espaço para os quadrinistas dentro de seus eventos. Com isso, esperamos que o bom debate nunca morra e que a cena pernambucana continue a crescer.

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crédito: Yuri Max

 

 

RevisãoYuri Max

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