Conhecendo um pouco mais “The Man”!

Antonio Teodoro 11/28/2018

stan lee

“-Olha o Stan lee!”.  Foi assim que nos últimos 10 anos muitos novos fãs da Marvel conheceram aquele que talvez seja o maior nome dos quadrinhos de todos os tempos: Stan Lee. E no último dia 12 de novembro, essa verdadeira lenda da nona arte nos deixou.

Stanley Martin Lieber, americano, filho de judeus imigrantes da Romênia, nasceu em 28 de dezembro de 1922. Foi corresponsável pela criação da maioria dos heróis clássicos da Casa das Ideias, tais como: Quarteto Fantástico, Hulk, Homem Aranha, Thor, X-Men, Homem de Ferro, Demolidor, Vingadores e Pantera Negra. Iniciou sua vida profissional nos quadrinhos em 1939  ( na Timely Comics, antigo nome da Marvel) e só veio escrever um super-herói conhecido em 1941 na Captain America nº03 (o Capitão América não foi criado por Stan mas por Joe Simon e Jack Kirby) onde fez a história que apresentava o escudo como o conhecemos e o tornava uma arma de arremesso.

Mas o grande salto de Stan ( e consequentemente da Marvel) só se deu na década de 60, quando a editora vendo o sucesso de vendas da Liga da Justiça da América, pediu a ele que criasse um grupo que fizesse frente à equipe da DC. E aí instaurou-se o dilema e a intervenção fundamental da sua esposa Joan B. Lee que ajudou a catapultar a carreira do marido: Stan já estava com quase 40 anos e não se sentia motivado  a escrever sobre super-heróis estereotipados para pré-adolescentes. Pensava até em desistir de escrever. Já que era assim, Joan o incentivou a criar personagens os quais quisesse ver no papel. Que o motivasse, se não desse certo “já pensava em desistir mesmo”. E assim em novembro de 1961 surgia a primeira família de heróis da Marvel: o Quarteto Fantástico. Uma família disfuncional e que pela primeira vez trazia heróis com poderes que não eram propriamente bênçãos; embrião do que seria uma marca da editora: heróis com conflitos e que sofriam por causa dos seus poderes! Quarteto foi um sucesso, muito também por contar com outro gênio no lápis e no coargumento: Jack Kirby. Aliás, foi contando as histórias da primeira equipe da editora que estabeleceu-se uma das parcerias mais longevas, criativas e produtivas dos quadrinhos. Um verdadeiro encontro de gigantes. Muito por conta do que ficara conhecido como Método Marvel (o estilo de produzir histórias de Stan no qual o mesmo contava em algumas frases o que queria e deixava a cargo do desenhista o desenvolvimento, os cenários e visuais dos personagens e das histórias), esse era um dos segredos do sucesso dessa década tão farta de ideias.

Confiante com sua primeira grande criação, Stan foi mais ousado na próxima. Seu segundo herói fugiria por completo do padrão estabelecido: seria um monstro! Um amálgama da criatura de Frankenstein com o “Estranho caso de Dr. Jekill e Mr. Hyde” de Robert Louis Stevenson. No caso cientista e monstro: o Hulk. Mas o maior sucesso comercial da editora ainda estava por vir. No mesmo ano. De um conceito que o editor Martin Goodman achou tão ruim que preferiu publicá-lo no último número de uma revista cancelada: O Homem Aranha.

Stan Lee queria um herói ao qual o público consumidor (adolescentes e jovens) se identificasse de imediato. Ele tinha que ser jovem, atrapalhado mas esperto. Peter Parker era um nerd (quando essa palavra nem existia ainda) que sofria bullying e era desprezado pelas garotas. Tímido, inseguro e com problemas financeiros. Mas um aluno brilhante adorado pelos tios que o criavam e tinha superpoderes. A empatia com o público foi imediata e a maneira de conceber novos heróis de Stan era um sucesso! Forçando mais uma vez a “fórmula Marvel” Stan junto com Kirby criou outro grupo de heróis, dessa vez para falar de preconceito, ódio racial, intolerância, o tratamento às minorias e diversidade. Pessoas que já nasciam diferentes, com poderes. E por serem diferentes eram odiadas pelo mundo. Nasciam os Filhos do Átomo: Os X-Men. “The Man” (epíteto que se intitulava) fazia da empresa um sucesso ao falar de temas sociais e retratar alegoricamente a realidade que acontecia naquela época. Porém, nem tudo eram flores, com o passar do tempo houve muitas especulações sobre a criação dos personagens, envolvendo Stan Lee e seus parceiros (principalmente Jack Kirby e Steve Ditko).

Como editor não se furtou de mudar ou enfrentar o status quo quando necessário. Ao ver o aumento do consumo de drogas entre os jovens no começo dos anos 70, decidiu que a editora tinha que se posicionar. Alertar os jovens contra o consumo de LSD. E usou seu personagem mais popular para dar o recado. Harry Osborn, o melhor amigo de Peter, enfrentaria o vício das drogas. Comprou briga com o CCA (Comics Code Authority) e fez história ao lançar uma revista do Aranha sem o selo do órgão fiscalizador. Foi a primeira vez que uma grande editora fazia aquilo. A revista vendeu tanto sem o selo que forçou o CCA, pela primeira vez, a rever seus parâmetros.

Nos últimos anos, “a cara da Marvel” virou presidente emérito da companhia. Sua participação nos filmes, sucessos quase absolutos, era esperada tanto quanto as cenas pós-créditos. E muitos fãs só o conheceram assim. Escritor, editor, editor-chefe, publicitário, empresário, produtor. Stan Lee foi um visionário. Um homem que elevou a nona arte à parte essencial da Cultura Pop com seus personagens. Um ENTUSIASTA que fez várias gerações se orgulharem de gostar de quadrinhos. De Heróis. Um ícone que jamais morrerá enquanto existir a cultura NERD! Longa vida, The Man! Excelsior, Mestre!

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