Chegamos ao Fim – Crô em família

Duda Oliveira 09/6/2018

Crô é um personagem que teve sua primeira aparição na novela da TV globo, Fina estampa (2011), como o mordomo da rica da alta sociedade, Teresa Cristina. Ele ficou tão conhecido e amado pelo público que o ator Marcelo Serrado decidiu lançar o primeiro filme, Crô o filme (2013), o qual foi um sucesso de público com mais de um milhão de espectadores vindo daí a força para o segundo filme.

 

Crô em família não é aquele filme excelente que todos devem assistir, pois há algumas falhas, mas também não é um filme ruim em que nada tem de qualidade, ele é razoável por chamar a atenção em alguns pontos e fazer o espectador rir, principalmente se já gostar do personagem. Além disso, o filme já sofre o julgamento de ser ruim logo de cara (que não é verdade), por ser um nacional, de comédia e de um personagem de uma novela da globo.

 

 

Crodoaldo Valério, ou simplesmente Crô (Marcelo Serrado), é agora dono de uma badalada escola de etiqueta e finesse. Entretanto, apesar de toda a fama e de algumas boas amizades, está se recuperando de mais uma desilusão amorosa. É quando sua vida cruza com as de Orlando (Tonico Pereira) e Marinalva (Arlete Salles), que dizem ser seus parentes distantes. Paralelamente, Crô precisa escapar da sempre venenosa colunista Carlota Valdez (Monique Alfradique).

 

O longa começa com uma grande falha, que fica muito perceptível para quem assistiu o primeiro filme. A história é ambientada 4 anos após Crô o filme, nesse tempo muita coisa aconteceu com o personagem, mas não fica muito claro, há dúvidas por exemplo sobre qual foi o fim do fiel motorista Baltazar (Alexandre Nero), pois apesar de ser citado não há explicação do que aconteceu com ele. Porém, o maior pecado do filme que pode deixar um certo estranhamento entre o público é a filha adotiva dele, que passa a morar com ele no final do primeiro filme mas no segundo nem sequer é citada, como se ela nunca tivesse existido.

 

 

O personagem Crô é gay e foi criado em 2011 quando a comunidade LGBT não era respeitada. De lá para cá, houve muitas mudanças que fizeram a minoria ser valorizada e empoderada, assim o personagem com certeza passou por uma “atualização” mas sem deixar de lado as características essenciais de Crô. Ele representa um estereótipo retrógrado onde o homem gay é sempre afeminado, feliz e engraçado, entretanto nem todos são assim.

 

Durante o filme, a uso de expressões mais antigas como “pedi para parar parou” e “sai da minha aba sai para lá” e expressões mais modernas como “Se é para tombar tombei”, “Crush” e “Match”. Elas são uma tentativa de atrair tanto o público mais velho, adultos e idosos, como o mais jovem. Mas, eles só tentam atrair os mais jovens, pois algumas das expressões nunca foram usadas por adolescente e jovens.

 

O filme termina com uma linda definição de família, que salva e coloca um pouco de lado os pontos negativos do filme. Além disso, como o personagem Crô é muito querido entre as crianças, um dos públicos alvo é o infantil, pois não há nenhuma cena que se mostre imprópria para elas, o que é um ponto positivo pois o primeiro filme não era para crianças assistirem, pois além de abordar a escravidão, há cenas não indicadas para esse público.

 

 

O uso da quebra da quarta parede é muito comum nos filmes hollywoodianos, mas entre os filmes nacionais não é visto e o longa tenta inovar quebrando a quarta parede para Crô falar diretamente com os espectadores que é um ponto positivo do filme. Outra prática moderna do cinema é o uso da metalinguagem que é mais comum nas produções brasileiras, o filme também fala do próprio filme. Nesse momento surge a ideia do terceiro filme, mas isso é algo que teremos que esperar, porque depende muito da reação do público.

 

Além da inovação, da modernidade e da ótima atuação de grandes atores como Tonico Pereira e Arlete Salles, Crô em família não é um grande filme, mas vai ser considerado bom para o público que quer atingir. Apesar de suas falhas, ele merecer ser assistido, o principal motivo de ele ser considerado ruim é por ser um filme nacional, sendo importante deixar de esse pré julgamento de lado.

 

Nota: 6 xícaras

 

Crô em família foi lançado hoje, 6 de setembro, confira o trailer:

 

 

 

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