Chegamos Ao Fim – A Múmia

Paulo Silva 06/9/2017

Confuso e indeciso, A Múmia é mais um blockbuster que não cumpre o seu papel.

 

A Múmia retorna aos cinemas com o intuito de iniciar o universo Dark da Universal. O filme é mais uma leitura do clássico de 1932 e, diferente da versão de 1999, protagonizada por Brendan Fraser, prometia uma maior aproximação à obra original. Aqui, a premissa é simples: a filha de um Faraó no Egito Antigo é mumificada viva por seus crimes, mas acaba sendo libertada milhares de anos depois, quando busca atingir seus objetivos, antes frustrados.

 

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O diretor Alex Kurtzman ousou e acertou ao trocar o sexo da Múmia, mas errou na execução. Visualmente, a personagem da boa atriz Sofia Boutella é assustadora, mas esse terror se resume apenas às imagens. A grande vilã do filme é verdadeiramente uma múmia: velha e fraca. Falando em personagens, Tom Cruise passou longe dos seus grandes trabalhos. Sua atuação, aqui, não passa do velho e nem sempre bom feijão com arroz, se um dia perguntarem: “quem foi Tom Cruise?”; certamente ninguém lembrará de Nick Morton, agente de segurança dos EUA. Entretanto, no final da trama o personagem sofre uma guinada, sendo assim é possível que na sequência do universo ele “cresça e apareça” – assim espero -. De Cruise a Jake Johnson, chegamos agora à Chris Vail, o grande companheiro do Nick, que funciona muito bem como alívio cômico, mas foi pouco utilizado. O ponto alto mesmo fica para o Dr. Henry Jekyll, vivido por Russell Crowe, que será o elo de ligação entre os filmes desse novo universo.

 

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Como disse no início, a ideia era aproximar a Múmia de 2017 à Múmia de 1932, dando ao filme um tom mais voltado pro terror, mas sem deixar de lado a parte cômica, característica da versão de 1999. Entretanto, por tentar se colocar muito no meio entre uma versão e outra, Kurtzman acabou se perdendo, e o filme se tornou um mistão, cheio de ação e piadinhas, menos terror. Nesse chove não molha, há uma confusão também na fotografia, ora escura, ora clara, não evidenciando a ideia real do longa.

 

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Outro ponto negativo, é quanto a organização do conteúdo. A Universal chegou com muita sede ao pote, e acabou jogando material demais num filme só. Isso é característico de quem está chegando agora nessa de universo compartilhado. Um bom exemplo é a DC Comics, que mal introduziu seus personagens e já vai uni-los na Liga da Justiça.

 

O maior acerto do filme foi a locação. Quase todo o longa se passa em Londres, e isso faz todo sentido visto que boa parte desses monstros que a Universal explorará são frutos da literatura gótica na Inglaterra Vitoriana.

 

A Universal começou com o pé esquerdo na sua fase de universo compartilhado. Porém, nada está perdido e casa tem a oportunidade de sentar, analisar os erros desse primeiro filme e corrigi-los nos próximos, visto que um universo que contará com nomes como Tom Cruise, Russell Crowe e Johnny Depp – que viverá o homem invisível – não pode nos entregar nada abaixo de épico!

 

OBS: Mais uma vez, o 3D é descartável. Um sustinho aqui, outro ali, mas nada que pague a experiência.

 

Nota: 3,0 Xícaras

 

 

 

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